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Friday, November 8, 2019

A lua brilha p'r'ó mar e nós banhamos neles


O vapor esbate as cores do crepúsculo,
a lua puxa uma nuvem p'ra se envolver
e espreita o reflexo de lábio mordido,
o mar moldura-lhe a luz e fa-la ascender.

Ela pisca-lhe o olho, sorri claridade.
Ele radiante segreda-lhe: "Tu és linda."
Ela acredita que p'ra ele é verdade,
sobe ao palco de estrelas e cintila.

Não é que ela tenha de ser a mais brilhante,
nem esconderá as crateras da sua face,
mas deseja ilumina-lo profundamente.

Não é que ela viva para ele, mas nele
encontra o calor para se manter ardente
e cobertura p'ra se expor nua em arte.

Monday, October 14, 2019

O lenço e o medalhão

Puxou de um lenço da jaqueta,
preta em forma de borboleta,
lá 'tava em nostalgia como
coração pendente no pescoço.

Com um bailado puxar do pulso
o leve tecido desabrochou,
e com um empurrar ao centro
cobriu os finos pálidos dedos.

E ergueu-o às longas pestanas,
juntando os dois velhos amigos,
que frequentemente se abraçam.
Momento solene de silêncio.

Tão rapidamente florescera,
pano cujo coração nomes diz
e assim com o medalhão condiz,
quanto murchara p'rá algibeira.

"Como conseguiu manter a graça?"
Então não ousaria perguntar,
e logo se tornou tarde demais
pois acabara de dele cuidar.

Suspeito de que já era sinal:
Sabia com isto se libertado
para o encontrar no terminal,
ofuscados pelo crepúsculo.

Deita enfim em dança de cores
tom lalegre que trará saudades,
junto o lenço e o colar, pois
as ofertas dele são imortais.

Aprendemos que não é incomum:
Quem crava os seus nomes tão fundo
enleam-se tanto as raízes
quase os separa tempo algum.

Friday, August 9, 2019

É agora

Nesta hora em que a louca da lua
se situa em pleno alinhamento
com o intimo do nosso pensamento,
de sorte se engorda e brilha nua.

Um encontro de tantos os anjos soa
a breve imprevisto encantamento
em que se perdera o velho do tempo
e o travesso do azar se amua.

Meu sonho proibido, não esperes então
estrondoso  gretar de falésias no chão
ou nos voa esta única fortuna.

Se o acaso me trouce á tua mão
não te perdoas se te perguntas e não
encaracolas os dedos com ternura.

Wednesday, July 25, 2007

Perdeste o direito de me olhar assim

Sais da minha vida de rompante,
levas a esperança e o romance,
roubas-me a juventude e o sonho,
destróis-me o respeito e orgulho...

Porém não te quero odiar,
sei que nem o conseguiria!
Quando voltasse a lembrar,
só que saudades traria!

Mas não me olhes agora,
cheio de alma e carinho,
está queimado o caminho.

Perdeste esse direito,
de me acariciar a face,
de me olhar com desejo.


Sunday, June 17, 2007

Homem indecente

Oh, homem imperfeito,
que és p'ra minhas decepções!
Oh, egoísmo desnaturado,
que fazes do homem ilusões.

Oh, ser imperdoável,
que cada acto amável,
se finda de punhal
enterrado na alma!

Porque só peço para sempre,
o carinho e mimo constante,
o amor ardente e indecente.

Só te exijo a alma inteira,
com tudo o que ela sente.
Enche-la-hei como só eu sei!

Wednesday, January 17, 2007

Calor

Sinto um fogo imenso,
se apodera do meu corpo,
enquanto a voz me treme
porque sinto o teu sopro.

Um calor ascende,
inflamável a minha espinha.
Um arrepio desce,
me deixa com pele de galinha.

Sinto a face a explodir,
de tanto sangue ardente.
Respirar sucumbe indecente.

Se o palpitar é desesperado
assim, só a pensar em ti,
ainda bem que nunca mais te vi!