Sunday, October 27, 2019

🍃 O Outono chega

Aquele                                                                                                     
sussurro                                                                                          
miúdo....                                                                           
antes do vendaval
eleva uma madeixa com sabor a temporal
e anuncia duma breve estação o final,
sem aviso ou um requerimento em edital.
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Põem-se tímido o sol no anoitecer do Verão,
deixando bem fértil o solo para renovação
onde os frutos da Primavera já germinaram
e agora se desnudam as árvores do roupão.
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Brevemente soará o estalar desta manta,
de limão, laranja, cereja e até castanha,
sobre a robusta calçada onde se caminha,
que sob o calor intenso nos foi sedimentada.
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Ainda se cobrirá este chão d'algodão gélido,
aqueceremos num abraço de chás fumegantes,
das ervas que crescemos ao longo do percurso,
aconchegados em recordações de aventuras.
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Mas falarei no 
Inverno quando lá chegar,
por enquanto vou
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jardinar                           preparar.

Monday, October 21, 2019

Quiseram um dia as ⭐estrelas⭐ que me encontrasses

Quiseram um dia as estrelas que eu sonhasse
com todas as cores qu'o R.G.B. põem por números;
com as fragrâncias do sal, da chuva, das várias artes;
com os cantos dos animais, instrumentos e ventos;
com as especiarias das cozinhas das avós.

Esqueceram-se as estrelas que eu baralhava
a vida espelhada nos olhos de um amigo
com os pincéis, a palete e tela dum poeta
numa melodia com ritmo mas sem um sentido
cuja imagem é vivida, mais ainda, directa.

Quizeram assim essas estrelas que tu me lesses
as palavras que dançam salsa com os meus ouvidos,
fazem reflexos de arco-íris nas minhas lentes,
até encantam o desabrochar dos meus sentidos,
e meu pequeno mundo infinito conhecesses.

(Obrigado a qualquer pessoa que esteja para me ouvir. 😊)

Monday, October 14, 2019

O lenço e o medalhão

Puxou de um lenço da jaqueta,
preta em forma de borboleta,
lá 'tava em nostalgia como
coração pendente no pescoço.

Com um bailado puxar do pulso
o leve tecido desabrochou,
e com um empurrar ao centro
cobriu os finos pálidos dedos.

E ergueu-o às longas pestanas,
juntando os dois velhos amigos,
que frequentemente se abraçam.
Momento solene de silêncio.

Tão rapidamente florescera,
pano cujo coração nomes diz
e assim com o medalhão condiz,
quanto murchara p'rá algibeira.

"Como conseguiu manter a graça?"
Então não ousaria perguntar,
e logo se tornou tarde demais
pois acabara de dele cuidar.

Suspeito de que já era sinal:
Sabia com isto se libertado
para o encontrar no terminal,
ofuscados pelo crepúsculo.

Deita enfim em dança de cores
tom lalegre que trará saudades,
junto o lenço e o colar, pois
as ofertas dele são imortais.

Aprendemos que não é incomum:
Quem crava os seus nomes tão fundo
enleam-se tanto as raízes
quase os separa tempo algum.

Thursday, October 3, 2019

Residente da lua


                                                      Vivi toda a vida na lua,
                                      sentada na base curva e com
                          pés pêndulos ritmados ao som
              de pontos incansáveis em luta:

  Vi morrer por liberdade pura  
 conceito que me assusta no tom,  
 pois nem todo o vizinho será bom.
Vi o invez, votar lei segura.           
 
  Contemplaste o céu e disseste:      
"De capuz com olhos a inundar,
        tão longe, mas o que te perturba?"

                       "É que a culpa também me veste.
                                  Com a distância de me resguardar
                                                  vi abusar até da terra muda."

Friday, August 9, 2019

É agora

Nesta hora em que a louca da lua
se situa em pleno alinhamento
com o intimo do nosso pensamento,
de sorte se engorda e brilha nua.

Um encontro de tantos os anjos soa
a breve imprevisto encantamento
em que se perdera o velho do tempo
e o travesso do azar se amua.

Meu sonho proibido, não esperes então
estrondoso  gretar de falésias no chão
ou nos voa esta única fortuna.

Se o acaso me trouce á tua mão
não te perdoas se te perguntas e não
encaracolas os dedos com ternura.

Wednesday, July 17, 2019

Benvindo

Este será o meu blog em Português.
Aqui espero partilhar poemas, cartas abertas, textos literários e quem sabe... alguns comentários.

Bom proveito. 😉

Tuesday, July 16, 2019

O cobertor mágico


Uma mãe é como
um mágico cobertor
que aquece no inverno,
e no verão se pendura
na ponta de um pau
a dar sombra e frescura.

O cobertor não tem medo
dá nos força no escuro,
como se fosse um escudo
e afugenta os monstros
que habitam por dentro.

Não s’afasta com o vento,
nem mesmo quando
em profunda revolta
para longe o empurro
e chamo de trapo velho.

É constante e presente
só nem sempre se sente,
e por isso nos conhece
como nem a gente,
mas nunca segredo vende.

É fofinho e macio,
da cor da fantasia,
no entando se preciso
torna-se numa malha
de ferro e cortiça.

O ferro não arde,
e nele entrelaçada
cortiça pára choques,
e bebe a água para
qu’o ferro não enferruja.

É fantástico assim
o meu cobertor,
muito bem pensado,
inteligente também
que nem computador.

E se quieto estiveres
e atenção lhe deres
verás quantas verdades
ele traz nas suas linhas
de sábios milenares.

É que ele não é novo,
ainda que perfeito,
foi tecido do estofo
de avós de avós
até longe no tempo.

É mágico porque,
sabendo nos bem,
dá o que precisamos,
atenção, nem sempre
o que queremos.

Assim é a minha mãe.